Jean-Jacques Picart : Conselhos de Luxo

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Ele pode passar despercebido na rua, mas seu lugar na primeira fila dos grandes desfiles é garantido.

Seus conselhos, preciosos  e respeitados. Sua visão de moda e seu feeling, conhecido por todas as grandes Maisons de moda do mundo. Jean-Jacques Picart, o conselheiro mito da moda.

Um pouco de Historia…

Jean- Jacques Picart inicia sua trajetoria em 1970 criando e dirigindo o seu próprio escritório de assessoria de imprensa, onde é responsável pela imagem numerosas marcas e griffes como: Thierry Mugler, Cacharel, Shiseido, Emanuel Ungaro, Hermès, Jean- Charles de Castelbajac, Kenzo, Chloé, Daniel Hechter, La Redoute, Newman, Levi’ s, Helmut Lang, Ferragamo ou Jil Sander, Jean Patou. Em 1981 lança Christian Lacroix e em 1987, junto à Bernard Arnault, funda a maison de alta costura Christian Lacroix que permanece sócio até 1999.

Consultoria de Luxo

Em  1999, decide mudar, quer novamente sua liberdade. É no charmoso 217 da rue Saint Honoré que ele  instala seu escritório de consultoria em moda e luxo, o JJP Conseil, o  mais importante da França.

Jean Jacques Picart

  • Como definir o luxo?

Jean Jacques Picart – O Luxo do passado, não é o mesmo luxo de hoje… O luxo do amanhã é um pouco à moda Hermès, que é o contrário da luxo Dior. O luxo do amanhã será baseado na exceção e não na  criação. É o hiper-luxo da personalização, entra em cena a estratégia de prestígio. Escolher a cor de sua bolsa, o couro, os detalhes, o “feito sob medida”. A verdadeira elite já não compra mais bolsa com logotipo, ela não quer uma bolsa que todos podem ter. Isso serve também para jóias, móveis, e claro, roupas. Algumas marcas tem centenas de boutiques pelo mundo. Hoje, praticamente todos nós podemos comprar uma bolsa Vuitton, por isso as pessoas verdadeiramente ricas não compram, personalizam. É outra esfera.

  • Como as griffes vão se comportar?

 A um excesso de tudo em todo o lugar. As marcas de luxo se democratizam e as marcas industriais se glamorizam. E o excesso de  oferta mata o desejo. Por isso o luxo é de certa forma a busca a sedução junto à perfeição.

Mas é preciso certo cuidado com esta perfeição. Porque a perfeição é de certa forma é um pouco enfadonha. A perfeição pode ser um defeito.  Às vezes é preciso um pouco de aspereza,  dar um eletrochoque na marca. Criar certa desarmonia para ter o equilibrio necessário.

…Vai existir o consumidor das boas marcas ( Chanel, Vuitton, etc), mas também outros nichos, que não necessariamente  por razão econômica, mas mais por razão de expressão, vão buscar um produto que satisfaça na diferenciação,  sua busca pelo original, na hiperpersonalização.

Certamente para luxo é importante o savoir faire, mas é ele precisa estar dentro da vida real, do verdadeiro. Nada de bagagens que pesam quatro toneladas… Ninguém tem mais carregadores… As malas de hoje precisam ser práticas, ter rodinhas, isso é o real. Cada marca tem seu próprio discurso.

Porque se você tem 35 anos, você também não quer viver usando as coisas do passado… pesadas. Quem sabe podemos imaginar o luxo de Hermès  redesenhado por Starck. Bonito, mas leve, prático adaptável para a verdadeira vida.

  • Como o senhor vê o podium de moda?

Às vezes fico chocado com os criadores, que vestem uma mulher virtual, que tem uma durabiliddae de vida de 12, 15 minutos sobre uma passarela, dentro de  um reflexo fantasioso e  irreal. Este,  em uma hora repercute em todo o planeta. Mas não tem nada de concreto, nada de real. Fico imaginando a mulher que entra na boutique e diz: “uau! Mas que roupa é incrível, é maravilhosa, como é bonita!Mas não é para mim…”. Existem muitos produtos  vindos dessa imensa criatividade, mas  que  não tem destino,  não tem legitimidade. Como um belo prato, mas muito apimentado. Depois da primeira garfada, você queima a garganta e desiste de comê-lo.

  • Mas não é preciso sonhar, para criar?

Sim, mas com a condição que o sonho não o tire da realidade. O sonho deve ser algo que empurra você um pouquinho fora de sua rotina, mas não pode ser algo que o torne irrealista, que não é parte da vida. E também do comercial. Porque mesmo quando eu compro um calçado ou um terno, quando eu abra uma porta de um local que comunica e que me faz de certa forma sonhar, no fim de tudo o que eu quero é  um verdadeiro terno.

  • Para o  senhor a internet  concorre com o mercado de luxo?

Eu sei que é um mercado enorme. Mas não concorre direto com o mercado que busca o algo mais. Comprar uma bolsa pela internet não tem o mesmo valor. Porque não tem o serviço, o lugar, a iluminaçã, a decoração, o sonho. Quando eu falo moda, eu falo de algo a mais, que tem uma carga suplementar, e que a compra é ligada a certo prazer. Não me refiro a produtos que podem ser comprados sem envolvimento emocional.

  • Na moda, parece que tudo já foi feito,  o senhor acha possível se liberar da tendência de se inspirar nos códigos do passado?

Eu espero inquieto por isso. É um novo desafio. A verdade é que temos a tendência em embeleza os momentos da juventude, certa nostalia que o passado foi melhor. Mas  isso sempre foi assim, na época do Império, se falava de um “retorno a antiguidade”. De certa forma, é uma maneira de frear o futuro.E a moda precisa desse ar do tempo, porque ela  sempre em  todas as épocas propôs coisas que  correspondiam  as inspirações do momento. É uma questao de reinterpretação, mas inspiração não quer dizer duplicar, porque aí é vintage.

 

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